
Duas horas, três minutos e 39 segundos foram gastas, ontem, na ligação ferroviária entre Paris e Londres, longa de 492 quilómetros. Desde a abertura do túnel da Mancha, em Maio de 1994, nunca a viagem de comboio fora tão rápida como agora, com a plena integração de Inglaterra na rota da grande velocidade e a obtenção de uma velocidade máxima de 300 km/h.
Na viagem simbólica de ontem, a composição cinza e amarela do consórcio Eurostar transportou 400 pessoas, convidados e jornalistas, testemunharam como esta passa, agora, a ser a forma mais rápida de viajar entre as duas capitais, algo que não foi conseguido antes devido às demoras do lado britânico. Com efeito, enquanto a linha de alta velocidade francesa, entre Paris e o túnel, estava pronta um ano antes da inauguração deste, enquanto o troço de ligação a Londres (109 quilómetros baptizados de “High Speed 1″) teve de esperar 13 viragens do calendário. Aquando da inauguração da linha de TGV em Paris e Lille, François Miterrand, então presidente francês, havia comentado, com sarcasmo “Acredito que dentro de um ano vamos circular a todo o gás pelas planícies do Norte, depois passaremos a todo o gás pelo túnel sob a Mancha e, de seguida, poderemos sonhar na Grã-Bretanha, sem grande gás, para podermos apreciar os campos e as paisagens”. Sem a preocupação de bater recordes, o tempo de viagem entre Paris e Londres, a partir de 14 de Novembro, será de 2.15 horas (menos 20 minutos do que até agora), e a Eurostar (capitais franceses, britânicos e belgas) espera potenciar ainda mais um negócio que este ano já bateu todos os recordes (7,85 milhões de passageiros e uma facturação de 760 milhões de euros, nas ligações de Paris a Londres, Lille a Londres e Bruxelas a Londres).
Em França, o slogan para atrair novos clientes é “Esqueçam Waterloo”, frase de duplo sentido que alude à derrota final de Napoleão Bonaparte, em 1815, e, também, à substituição da londrina gare de Waterloo pelo moderníssimo terminal de St. Pancras, gigantesca estrutura envidraçada construída em torno de uma estação vitoriana com as tradicionais paredes de tijolo.
